Bagagem

Mais uma vez eu me pego preso no impossível cruzamento entre me pôr em parênteses ou não. Há dias que passam por mim como cavalos ensandecidos e eu não consigo contê-los. O eterno binômio de perdas e ganhos se confunde com todos os detalhes que eu posso encontrar entre as sílabas pronunciadas e os seus lábios. Então eu mergulho perdido entre o leste da minha juventude e o oeste do meu futuro, vendo todas as calçadas sombrias e sonolentas me guiarem para largas e vazias estradas suburbanas. Todos os passageiros dormem em desgastados corredores de escassos meios de locomoção e anseiam por uma cama ou uma casa, nem que seja o próprio ponto de ônibus. Enquanto um ar quente denso sopra pela única plataforma dessa pequena-grande cidade, diversas multidões de jovens urbanos aguardam a vez para engolir rápidas vias de decadentes destinos. Um mapa para o meu exílio com um céu indecifrável, algumas mitologias escritas sobre o mesmo declive que leva a enormes castelos da mente e uma eterna leve sensação de vertigem.

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