Algo que eu esqueci de te falar

Bata na porta para eu saber que você ainda está aí, ao meu redor, ouvindo sem querer conversas alheias e querendo mudar o mundo. Eu pensei que talvez você quisesse me visitar um dia. Talvez você quisesse ouvir como o silêncio desses gigantescos espaços vazios me apavora ou como sair de casa foi mais como se esconder do mundo. Se me pedissem uma data para voltar ao passado, eu diria: “Antes dos meus erros”. Mas eu nem sei o que é certo ou o que é errado, então pra mim tanto faz. Às vezes a melhor opção é esquecer, é deixar de lado, é jogar fora. Aí talvez só as melhores partes permaneçam. Ou não. Tanto faz. Às vezes parece que tudo o que tenho é só o que minha memória recorda. Parece que o máximo que eu tenho para te oferecer não oferece muito e não há outro lugar para estar, senão aqui, nesse silencioso pedaço de asfalto, onde o sol do meio-dia encontra o cheiro do concreto e da grama cortada. Sumir não é saída. Talvez eu ainda te encontre em algum dos nossos lugares preferidos, de maneira inesperada, como sempre foi. Talvez você me puxe de volta para onde eu nunca deveria ter saído e tudo vai fazer sentido.

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