A quem possa interessar

Pegue seu caderno de notas, uma câmera fotográfica e uma garrafa d’agua. Enterre no jardim da sua casa seu livro sobre as políticas da solidão e as expedições no Ártico. Leve todas as tardes de domingo gastas em estacionamentos vazios revirando os classificados e toda uma vida numa cidade pequena para pequenas vidas. Você nunca imaginou que esse dia fosse chegar. Mais uma história deixada de lado pelos livros de História, sobre como vidas são esmagadas e varridas para debaixo do tapete. A quem possa interessar.

Leve a cesta de ansiolítico e aspirina, ou só palavras para matar mais uma entediante noite de um sábado morto, ela diz adeus e até logo. Adeus as 12 horas de trabalho por dia e a sorrisos forçados. Adeus as pilhas de contas não pagas dobradas como seus vestidos, a todos os projetos não acabados, ao medo de qualquer término. Adeus a todas as dores no pescoço e no coração, adeus a todo não. Adeus aos 45 minutos perdidos rejeitando todas as razões para ficar. Tudo acontece por aqui, e de repente nada acontece por muito tempo. Acorde e arrume suas malas.

A quem possa interessar. O próximo trem é daqui há 20 minutos. Vagando por incertezas do coração ela diz adeus, sentada em cima da bagagem esperando pelo melhor destino.  Deixando vidas vazias, deixando vazias estações.

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