O som de junho

Eu sei, é difícil lidar com o silencioso desespero cultivado nas entranhas e refletido em náusea e vertigem. No meio do escuro nos perdemos na desesperança, mesmo sabendo que ela é passageira. Antes eu via nos seus olhos, não só todas as cores que neles habitam, mas como você compreende toda a solidão no lento movimento de qualquer velho relógio de parede ou nas pessoas cansadas com olhares pesados, mutiladas, por amor ou falta dele. Eu me via neles.

Agora eu me vejo e me perco em suas palavras, repetidas vezes repetidas, elas, em pedaços, são incorporadas naturalmente em mim. Existem palavras, de nosso conhecimento presente, que jamais serão usadas novamente, mas jamais serão esquecidas. Nós precisamos delas como a parte de trás de uma fotografia e eu sei que num futuro distante ou elas ressurgirão através de outros ou serão enterradas com nossos corpos.

No final das contas alguém sempre: precisa ser escolhido por último, precisa se machucar e precisa falhar. Só não queria mais que esse alguém fosse eu. Nem muito menos você. Se você diz que nunca sabe o que dizer, eu acho que eu sempre falo demais.

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